segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009

Excerto de "Damien"

Damien:
"Repetes impetuosas palavras e serão as últimas que prenuncias, irmã. Fraca é a tua mente que pouco conhece, muito desconhece e fala vazio. Constróis frases que falam em matar quando tu própria nunca matas-te. Encontra o teu lugar, pois estás perdida. Ousas falar como se fosse teu capelo, mas esqueces-te que sou teu irmão e filho do mal. Não terei medo nem vergonha de suicidar minha irmã, nem castigo terei. Olho-te nos olhos e vejo que me temes como se o Inferno estivesse a acabar. Questionas-te se arrancarei tua língua como castigo de tua insolência; Ou se te arrancarei os olhos para que nunca mais possas ver o que não sabes ver; Ou se simplesmente ponho termo à tua mísera existência. Nada sabes do que poderei fazer, mas sabes que farei. Silêncio! Ficarás aqui em silêncio; Enquanto não regressar, não sairás daqui. Adeus."


Asheyla:
"Avancei por caminhos perigosos, mas que me abrem os olhos. Meu irmão é o mal. Filho do indesejado e procriador do que não há a desejar. O que respeitam e temem com pesadelos constantes. Corto minha língua e arranco o coração se meu irmão não viver para governar. Sofro por ti e, por faltar ao teu respeito, sou infiel. Matarei, por teu tributo, mil homens sem espada e num buraco guardarei o sangue onde me lavarei todos os dias para tirar a sujidade corrupta e desleal."

Damien, Charles Henry

domingo, 8 de fevereiro de 2009

As Escolhas - Momentos de Felicidade Espontânea

É necessário estar consciente das dificuldades que se encontram presentes nas nossas escolhas e ter noção que fomos nós que escolhemos. É assim que se constrói uma vida e uma carreira, é à base de escolhas. Cada escolha é uma decisão que pode ser tomada de duas formas: conscientemente ou inconscientemente. Conscientemente quando sabemos e percebemos as consequências e vantagens dessa decisão. Inconscientemente quando, por vezes, nos parece, à primeira vista, um atalho para atingirmos um certo objectivo ou sermos literalmente obrigados a tomar essa decisão.

A percentagem das pessoas que se arrependem das decisões que tomaram na vida é muito superior à das pessoas que são perfeitamente felizes com o que têm. Mas será possível ser perfeitamente feliz com a própria vida? Não haverá qualquer tipo de arrependimento com alguma escolha que tenhamos tido? Existe a felicidade total, ou será isso apenas algo espontâneo de um acontecimento da nossa vida. Com isto quero dizer, por exemplo, um momento em que recebamos uma notícia a avisar que fomos promovidos, ou que recebemos uma boa proposta de trabalho. Nesse preciso momento sentimos que somos as pessoas mais felizes do mundo. Mas isso é apenas um acontecimento de felicidade espontânea que dura segundos e não uma vida. Então teremos de dizer que uma vida perfeitamente feliz é feita unicamente de momentos de felicidade espontânea. Quem tem uma vida feita só desses momentos de felicidade espontânea? Direi impossível. Há e haverá sempre acontecimentos que nos hão de perturbar e nos marcar negativamente. A morte de um familiar, a perda de uma oportunidade, uma má escolha que nos tenha custado algo a nós ou a alguém. Isso tudo contribui para que não tenhamos uma vida inteiramente feliz.

Então é preciso registar na nossa mente que somos o que provém das nossas escolhas e que teremos de temer aquilo que decidimos?

Não, é preciso viver com o conteúdo da escolha e não com o que rodeia essa escolha. É preciso viver na constante procura de momentos de felicidade espontânea e aproveitá-los. E como não há como evitar o que nos afecta e nos perturba teremos de perceber isso e seguir em frente.

Isto não é uma daquelas lições que vêem nos panfletos das igrejas católicas que nos dão nas ruas, mas sim algo que temos de parar para pensar e questionar. É um pensamento e não uma lição. É um "Act".


Charles Henry

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009

Actor, O "Bicho" Estudado

Bem, este é o meu primeiro post em português para que desta vez toda a gente possa ler. (Não prometo que aconteça muitas vezes, prefiro o inglês)

Hoje começámos a colocar exercícios no "Macbeth" o que de imediato me meteu um enorme sorriso na cara. Devo confessar que anseio chegar à cena da notícia da morte da Lady Macduff e dos "meus" filhos. Tenho de admitir que esta cena mete-me nervoso e com medo. Razões que são escusadas justificar, apenas stress de actor. Ou aspirante a actor? Deixo-vos só com a notícia de que o ensaio correu muito bem. Um sucesso, dito pelas palavras do "Director".

Mas este blog, The Common Sense Book, não foi criado para discutir como correm os ensaios, mas sim para expressar ideias que ocorrem no dia a dia. Este diário não se compele a eu, autor deste blog, escrever sobre o meu dia a dia na escola de teatro, mas sim à expressão de ideias que um simples aspirante a actor pode ter. E, assim, em vez de discuti-las sozinho e acompanhado pelo meu bom senso ou consciência, coloco-as aqui para que todos os que estejam interessados possam ler e questionar e até constatar. Estou aberto a críticas, desde que fundamentadas.

Como dá para ver já postei dois posts, mas em inglês. Aproveito para pedir mais uma vez desculpa a quem não entende e prometo postar também, algumas vezes, em português. Um dos posts fala sobre a primeira descrição que temos quanto aos objectos e pessoas. O segundo sobre os pensamentos de um aluno de teatro, ou aspirante a actor, ao criar duas personagens. Uma delas sendo rotulada como a personagem mais complexa do teatro, Hamlet. Claro que aos olhos de um profissional falhei totalmente nessa criação, mas ao que parece aos olhos de um "Director" sobre um aluno não esteve mal. Pode-se sempre fazer melhor. C'est la vie. E o começo do processo de criação que estou a ter com o Macduff e os objectivos a atingir.

Já escrevi quatro parágrafos, mas ainda não disse nada. Vamos ao que interessa. Há um facto que se desconfia, mas que se tem vindo a comprovar. As pessoas sentem curiosidade pelos actores e hoje tive uma pequena prove de tal. Hoje às 18h apanhei o autocarro para voltar para casa e comecei a viajem de pé, mas foi só um bocado, e ao meu lado iam duas moças adolescentes entre os 16 e 18 anos sentadas ao meu lado. Iam a conversar. Sendo realista, iam, provavelmente, a cochichar. Cerca de dez minutos depois uma delas, a que vinha do lado contrário da janela, levantou-se e saiu, e eu como estava de pé sentei-me. Enquanto ela olhava pela janela eu olhava não sei exactamente para aonde, pois ia a divagar perdidamente nos meus pensamentos. Ou seja a sonhar. Isto quando me lembro de tirar a peça "Macbeth" da mochila e pus-me a estudar o texto. Assim que fiz tal coisa a moça adolescente não resiste em olhar, mas não foi só olhar. Digo isto porque há o olhar de ver o que acabou de acontecer ao meu lado e o olhar de estou perdidamente curioso de saber o que tens na mão. A moça estava definitivamente no segundo olhar. E mais perdida ficou neste olhar quando viu que era uma peça com falas sublinhadas e com várias notas:

-" É um actor." - pensou ela.

Assim ficou variadíssimo tempo a observar o que eu fazia. Até que eu fiz algo que iria provocar mais curiosidade na moça adolescente. Tirei da minha mochila os meus apontamentos de criação de personagem, para anotar algumas dúvidas e ideias que tinha tido. Revirei a peça e as folhas dos apontamentos várias vez enquanto que esforçava a cabeça para pensar o melhor possível. (O tal stress de actor, ou aspirante a actor)

Era inevitável, até ela chegar à sua paragem contaram-se pelos dedos os segundos que desviou o olhar dos meus papeis. Assim comprovo que nós, actores, no meu caso, aspirante a actor, somos um grupo que é constantemente estudado e observado pela sociedade que nos rodeia. Pouco sabe essa sociedade que o nosso trabalho é estudá-la e representá-la. Assim que ganharem consciência disso, de certo ficaremos sem trabalho.


Charles Henry

domingo, 1 de fevereiro de 2009

The Character

To an actor the primary objective is to create his character. To fill that empty soul just described in the lines of the play and give life to it, filling it with colours and show it to the world (public). But what it seems an easy achievement is in fact a harsh work for the actor. He has to research, search, look, see, hear, be aware of everything and everybody. It has been said to me that an actor works twenty-four hours a day. I can stand for it, and I've learn it in the hard way. The constant observation of everything that surrounds us. And make a selection of what can fit in our character. In here we apply our creativity. How to use it, when to use it. It's a selection and an option or options we have to take and choose. And whether they stand or not that depends of the director of the play. "I like it"; "It's too much, cut some of it"; "You're in the right way, just look deeper". The usual words we ear from the director when we present propositions.

It was the transition of my knowledge about acting that made me what I am today. A better person, a better "actor". It was Hamlet that made me see the real theatre. The real acting. It was the hard work I had, and many of my colleagues had too, that made it possible for me to grow as a person and as an actor. This was the transition I had to make for the new part, Macduff in the Scottish Play. Now I have the perspective I need to make this role work and be real. But am I ready to give life to this character? Am I up to it? I'm aware that the hard work alone will not be enough for this character. Talent will be needed. Every good character needs a talented actor. Am I a talent actor or just a hard work actor? We will see with the development of this objective, that is to give life to Macduff.


Charles Henry

First Description

Every object has a description that defines it. The first time we look to a defined object, an object that has a common base in our head, there is a description that comes out. When we look to a chair the description that we first think is to sit. When we look to a candle the first description is to give us light. A book is to read. But if we look deeper we can find other descriptions. In a chair we can find other labels. We can use it has a ladder or even to break it in somebody's back (exaggerating). A candle can be used to burn things. A book can be used has a weight to hold something. It depends on the idea we have kept from that object. The person that first used the candle to start a fire and not to use it has light, every time that person sees a candle the first description that comes to his/her mind is to put things on fire.

This happens with people too. But with people we usually hold the bad descriptions. When we see somebody we reach into our memories and we find that label that defines that person as a boring person, an annoying person. But if we look deeply into our memories we will find other labels. Labels that define that person as a nice, kind person. But few bother to look deep to find these good descriptions. It is what it is. We are what we are and we'll keep on smiling at the people we don't like and keep thinking that that person is the worst person in the whole world, when maybe it's the kindest person in the world, but we will always see them with our first description. And from then on that person as our own official label.


Charles Henry